← Voltar ao blog

Insalubridade

Cromo no trabalho: o que é, quem se expõe e quais direitos ele gera

19 de junho de 2026 · por Maiara Krug

Cromo no trabalho: o que é, quem se expõe e quais direitos ele gera

Aviso: conteúdo informativo. O direito depende da análise dos seus documentos e da sua atividade por um advogado especialista.

Você trabalha (ou trabalhou) na cromação, na solda de aço inox, no curtume ou na pintura industrial e foi ficando com o nariz sempre irritado, com feridas que custam a cicatrizar nas mãos ou até com aquele “furinho” no septo do nariz? Isso não é frescura nem azar. É a marca de um agente nocivo silencioso: o cromo. E quem entregou anos de saúde a esse risco pode ter direito a se aposentar mais cedo.

O que é o cromo

O cromo é um metal muito usado na indústria, para dar brilho, resistência e proteção contra ferrugem. Nas suas formas tóxicas, ele é um agente nocivo à saúde e por isso pode gerar direito. O que muda de uma forma para outra é a gravidade e a forma de comprovar.

O cromo hexavalente (Cr VI) é o mais grave, porque é cancerígeno. Ele aparece na cromação, nos cromatos e bicromatos, nos fumos da solda de aço inox e em pigmentos de tinta. O cromo trivalente (Cr III), usado no curtimento de couro, é menos grave, mas também prejudica a saúde. A exceção de baixo risco é o cromo metálico (o metal puro), que sozinho, em regra, não gera direito.

Por ser cancerígeno, o hexavalente é mais fácil de provar. Não é preciso saber “quanto” de cromo havia no ar, porque não existe quantidade segura para algo que causa câncer. E usar máscara e luva não tira o seu direito, porque o equipamento ajuda, mas não acaba com o risco do câncer.

Nos outros tipos de cromo é diferente: aí vale a medição da quantidade e o EPI importa. Se a empresa provar que o EPI funcionava de verdade, isso pode tirar o direito.

Onde o cromo aparece e quem se expõe

A exposição ao cromo é típica de algumas atividades. Veja se a sua está aqui:

AtividadeQuem costuma se expor
Cromagem eletrolítica dos metais (galvanoplastia)Galvanizador / cromador
Tanagem a cromoTrabalhador de curtume
Pintura com pigmentos de cromo (pistola ou manual, em recinto fechado)Pintor industrial e automotivo
Fabricação e manipulação de cromatos e bicromatosIndústria química
Processos fotomecânicos de clichêsTrabalhador gráfico
Solda de aço inoxidável (libera fumos de cromo)Soldador

O que o cromo faz com a saúde

A exposição ao cromo, sobretudo ao hexavalente, costuma causar irritação e feridas: úlcera e perfuração do septo nasal (o “buraco no nariz”, clássico de quem trabalha na cromação), dermatite e úlceras na pele (as “feridas do cromo”), além de rinite e asma ocupacionais. No caso mais grave, o cromo hexavalente é associado ao câncer de pulmão e das vias nasais. Não é exagero. É desgaste real, que muitas vezes aparece anos depois.

Quais direitos a exposição ao cromo pode gerar

A depender do seu caso, a exposição ao cromo pode abrir mais de um direito ao mesmo tempo:

1

Aposentadoria Especial

A aposentadoria mais cedo, pela exposição habitual ao agente nocivo.

2

Adicional de insalubridade

Um acréscimo no salário, na esfera trabalhista, enquanto durou a exposição.

3

Auxílio-acidente

Uma renda mensal a mais quando fica uma sequela que reduz a sua capacidade de trabalho.

4

Estabilidade no emprego

Proteção contra a demissão por um período depois que a doença é reconhecida como do trabalho.

5

FGTS no afastamento

Os depósitos continuam durante o afastamento pela doença ocupacional.

6

Indenização

Reparação pelos danos quando há responsabilidade da empresa.

Nem todo direito se aplica a todos os casos. Cada situação depende dos seus documentos e da sua história. Por isso, vale a avaliação de um advogado especialista.

Trabalha (ou trabalhou) exposto ao cromo? A gente analisa o seu caso e aponta o caminho.

Não confunda insalubridade com Aposentadoria Especial

Aqui mora uma confusão comum. O cromo aparece nas duas esferas, mas elas não se confundem. Na esfera trabalhista, ele está na NR-15 e costuma gerar adicional de insalubridade em grau máximo. Na esfera previdenciária, o cromo e seus compostos tóxicos estão no Decreto 3.048/99 e podem dar direito à Aposentadoria Especial com 25 anos de exposição.

Ou seja: você pode ter direito ao adicional, à Aposentadoria Especial ou aos dois. Cada um depende dos seus documentos e do seu histórico. Entenda melhor essa diferença no nosso artigo sobre adicional de insalubridade e Aposentadoria Especial.

Como se comprova

A prova é o coração do pedido. No caso do cromo, o PPP, que tem o LTCAT como base, precisa descrever a exposição ao agente. A FISPQ/FDS dos produtos usados ajuda a mostrar a presença de compostos de cromo. Há ainda um detalhe que joga a favor: se a empresa fazia exame de cromo na urina, é sinal de que ela própria reconhecia a exposição. E se o PPP veio genérico, incompleto ou errado, dá para corrigir antes de pedir o benefício.

No serviço público (RPPS), o raciocínio é o mesmo, com o PPP e o LTCAT do órgão.

Cromador, soldador, curtidor, pintor: se a sua história tem cromo, vale conhecer o seu direito com calma e com a prova bem feita.

Atendimento

Será que isso se aplica ao seu caso?

Cada situação é única. Fale com a nossa equipe e descubra, na prática, o que vale para você.

Fale conosco